domingo, 8 de maio de 2016

Deixei-me levar

Deixei-me levar...
 
De olhos fechados sou levada pela corrente.

A boiar na água gelada que me queima a pele.


Não sei como vim aqui parar,
Vi as pedras no caminho mas não lhes dei atenção.

Senti o vento a puxar-me para trás
Mas caminhei ainda mais.

Ouvi algumas vozes ao longe,
O silêncio era mais alto.

Acordei aqui.
Fria.
Perdida.


Deixei-me levar mais uma vez.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Insónias

Pensamentos que me deixam acordada,
Noites, dias, horas.

Se apenas conseguisse esquecer,
Nem que por uns dias.

Se a tua ausência significasse o silêncio.
O silêncio da minha cabeça.
O acalmar do meu coração.

Não peço sorrisos.
Felicidade.
Apenas quero-te esquecer.
Apagar este sentimento que em mim vive,
Que em mim cresce.



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Alguns chamam-lhe magia

Alguns chamam-lhe magia,
Outros maldição.

Para uns é fraqueza,
Para outros é poder.

Há pessoas que sorriem quando dizemos a palavra.
Outras desvanecem nos próprios pensamentos.

Uns mudam quem são para agradar,
Enquanto outros são transparentes como a água.

Há quem se esconda atrás de muralhas
E há quem não tenha medo da aventura.

Afinal, o que é o amor sem dualidade? 

http://ivanradev.deviantart.com

sexta-feira, 27 de março de 2015

Learning to be alone

I never knew what it was to be alone.
 
I never wanted to be on my own
Even though I've always been.

This fear grew with me.
He was my company.

Now that I embraced him, everything makes sense.
He's not that bad of a company.

Walking with him,
Sharing the silence.
Admiring the views,
Eating the ice creams.

All is good in his company.
All is good alone.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Fico Sozinho com o Universo Inteiro

Começa a haver meia-noite, e a haver sossego,
Por toda a parte das coisas sobrepostas,
Os andares vários da acumulação da vida...
Calaram o piano no terceiro andar...
Não oiço já passos no segundo andar...
No rés-do-chão o rádio está em silêncio...

Vai tudo dormir...

Fico sozinho com o universo inteiro.
Não quero ir à janela:
Se eu olhar, que de estrelas!
Que grandes silêncios maiores há no alto!
Que céu anticitadino! —
Antes, recluso,
Num desejo de não ser recluso,
Escuto ansiosamente os ruídos da rua...
Um automóvel — demasiado rápido! —
Os duplos passos em conversa falam-me...
O som de um portão que se fecha brusco dóí-me...

Vai tudo dormir...

Só eu velo, sonolentamente escutando,
Esperando
Qualquer coisa antes que durma...
Qualquer coisa.

Álvaro de Campos, in "Poemas"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Não Sei Como

Não sei como te dizer.

Não encontro palavras,
Momentos,
Coragem.

Não te sei pedir o que quero.

Tudo é medido,
Pensado,
Cuidado.

Não te consigo mostrar.

Apesar de o fazer todos os dias,
Noites.
Passo-as sem dormir,
A pensar.

Tudo o que te poderia dizer,
Fazer.

Não sei como...

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Pedaço a pedaço,
Vou deixando cair partes de mim.

No mesmo sítio
Deixo os vestígios do que um dia fui.

Sinto cada parte do que sou a desfazer-se.

Até já.